Manifesto

Propostas

Os pilares que vão transformar São Tomé e Príncipe numa nação mais justa, próspera e sustentável.

São Tomé e Príncipe tem 50 anos de independência e ainda luta contra problemas que não deveriam existir em 2026: apagões diários, falta de água nas torneiras, jovens sem emprego, doentes que morrem por falta de meios nos hospitais. Não é falta de recursos. É falta de vontade política e de gestão honesta do que temos.

Este manifesto não é uma lista de promessas vazias. É um compromisso com o povo são-tomense, assinado por um advogado que passou a sua carreira a defender os que não têm voz. Cada proposta aqui apresentada é exequível, financiada e baseada na realidade vivida — não em estatísticas de gabinete.

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Pilar 1

Justiça & Estado de Direito

Sem justiça não há democracia. Sem democracia não há futuro.

O sistema judicial de São Tomé e Príncipe está sob pressão constante. A interferência política nos tribunais, a lentidão dos processos e a percepção generalizada de que a justiça funciona de forma diferente consoante quem está em causa são feridas que corroem a confiança do povo nas instituições.

O caso do 25 de Novembro é disso exemplo paradigmático: cidadãos acusados aguardaram anos por julgamento, enquanto outros processos de interesse político eram acelerados ou arquivados sem explicação. A impunidade não é um acidente — é um sistema. E um sistema que beneficia poucos em detrimento de muitos.

O que propomos:

  • Reforma profunda da magistratura, com critérios de selecção baseados em mérito e não em proximidade política
  • Criação de uma Procuradoria Anticorrupção independente, com orçamento próprio e mandatos fixos insusceptíveis de pressão do executivo
  • Implementação do sistema de declaração obrigatória de bens para todos os titulares de cargos públicos, com publicação anual e verificação independente
  • Revisão do Código de Processo Penal para garantir julgamentos em prazo razoável e eliminar a prisão preventiva prolongada sem culpa formada
  • Criação de um serviço de apoio jurídico gratuito para cidadãos sem meios, em parceria com a Ordem dos Advogados

A justiça não é privilégio de quem tem dinheiro para pagar advogado. É um direito de todos os são-tomenses.

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Pilar 2

Saúde Digna para Todos

Nenhum são-tomense deve morrer por falta de meios. Nenhum.

O Hospital Dr. Ayres de Menezes é o único hospital central do país. Faltam medicamentos essenciais, equipamentos de diagnóstico, especialistas e condições mínimas de internamento. Nas ilhas do interior e no Príncipe, a situação é ainda mais grave. Mulheres morrem no parto por falta de meios. Crianças morrem de doenças evitáveis.

Isto não é fatalidade. É o resultado de décadas de subinvestimento, corrupção nas compras públicas de medicamentos e ausência de uma política de saúde coerente e sustentada.

O que propomos:

  • Investimento mínimo de 12% do orçamento do Estado na saúde, com auditoria independente à execução
  • Construção e reabilitação de centros de saúde em todos os distritos, com médico residente e ambulância funcional
  • Programa de bolsas de estudo para formação de médicos especialistas, com compromisso de regresso ao país por 5 anos
  • Criação de um programa nacional de saúde materno-infantil com acompanhamento gratuito desde a gravidez
  • Combate urgente à malária, tuberculose e hipertensão — as três maiores causas de morte evitável em STP
  • Revisão e combate à corrupção nos processos de aquisição de medicamentos e equipamentos hospitalares

Um país que cuida da saúde dos seus filhos é um país que acredita no futuro.

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Pilar 3

Água & Energia: Direitos, Não Privilégios

Em 2026, ter água e luz não pode depender de sorte ou de ligações.

São Tomé e Príncipe sofre cortes de electricidade diários que paralisam negócios, destroem frigoríficos e apagam a esperança de famílias inteiras. A EMAE (Empresa de Água e Electricidade) funciona em permanente crise: dívidas acumuladas, gerações políticas, avarias frequentes e tarifas incomportáveis para a maioria da população.

A água potável não chega a todas as casas. Em bairros periféricos de São Tomé e em zonas rurais, as famílias dependem de fontes não tratadas ou de camiões cisterna a preços abusivos. Em pleno século XXI, isto é inadmissível num país rodeado de água e chuva abundante.

O que propomos:

  • Auditoria completa e pública à EMAE com publicação dos resultados e responsabilização dos gestores
  • Plano de transição energética baseado em solar fotovoltaico — STP tem radiação solar entre as mais elevadas do mundo e importa combustível fóssil a custo brutal
  • Parceria com agências internacionais de desenvolvimento para financiamento das infraestruturas de energia renovável
  • Programa de acesso universal à água potável tratada até 2028, com prioridade para os bairros mais carenciados
  • Separação da gestão política da gestão técnica da EMAE, com administradores seleccionados por concurso público
  • Subsídio de energia para as famílias mais vulneráveis, financiado por uma taxa progressiva sobre grandes consumidores

Electricidade e água são direitos fundamentais. Não são favores que o Estado concede — são obrigações que o Estado tem para com o seu povo.

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Pilar 4

Juventude & Emprego

Os nossos jovens são o maior recurso de São Tomé e Príncipe. Temos de os tratar como tal.

O desemprego jovem em São Tomé e Príncipe ultrapassa os 30%. Muitos licenciados regressam do exterior sem encontrar emprego na sua área de formação. Os que ficam no país enfrentam um mercado laboral estreito, dominado por redes de influência que fecham portas a quem não tem "padrinhos".

O resultado é uma geração brilhante a partir para Portugal, para o Brasil, para Angola — e São Tomé perde o que tem de mais valioso: o seu capital humano. Enquanto isso, cargos públicos são distribuídos como recompensa política e não como reconhecimento de competência.

O que propomos:

  • Criação de um Fundo Nacional para o Empreendedorismo Jovem com microcrédito a juro zero para projectos nos sectores da pesca, agricultura, turismo e tecnologia
  • Programa "Trabalha STP": estágios remunerados em empresas públicas e privadas para licenciados recém-chegados ao mercado de trabalho
  • Reforma do sistema de ensino técnico e profissional, com currículos alinhados com as necessidades reais da economia são-tomense
  • Proibição de contratação por vínculo político nos organismos do Estado — todos os cargos técnicos por concurso público aberto
  • Programa de repatriamento de talentos na diáspora com incentivos fiscais e habitação acessível
  • Criação de um Conselho Nacional da Juventude com poder consultivo real sobre as políticas públicas que afectam os jovens

Investir nos jovens não é caridade. É a única política económica que faz sentido para um país pequeno com ambições grandes.

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Pilar 5

Ambiente & Soberania dos Recursos

A natureza de STP é o nosso maior patrimônio. E a nossa maior responsabilidade.

São Tomé e Príncipe está entre os países com maior biodiversidade por quilómetro quadrado do mundo. As nossas florestas, o nosso oceano e os nossos recifes são únicos. São também a base do nosso turismo, da nossa pesca e da nossa segurança alimentar.

Durante décadas, a gestão dos recursos naturais foi feita ao sabor de interesses externos e de acordos opacos. As concessões de pesca foram entregues a frotas estrangeiras que pescam os nossos mares e exportam o lucro. O petróleo do Golfo da Guiné, cuja exploração ainda é incerta, não pode repetir o erro de outros países africanos onde o petróleo enriqueceu uma elite e empobreceu o povo.

O que propomos:

  • Auditoria e renegociação de todos os contratos de pesca com frotas estrangeiras, garantindo cotas e benefícios reais para os pescadores são-tomenses
  • Criação de um regime de protecção alargada das florestas primárias e dos corredores de biodiversidade
  • Desenvolvimento de um modelo de ecoturismo que beneficie directamente as comunidades locais e não apenas os operadores externos
  • Qualquer exploração de recursos do subsolo (petróleo, minerais) sujeita a referendo nacional e a auditoria ambiental independente prévia
  • Criação de um Fundo Soberano Ambiental onde parte das receitas dos recursos naturais reverta para conservação e para as gerações futuras
  • Programa nacional de gestão de resíduos sólidos — os plásticos nos nossos mares são uma vergonha e uma ameaça à pesca e ao turismo

Os nossos recursos pertencem às nossas crianças e aos filhos das nossas crianças. Não os podemos hipotecar por acordos de curto prazo.

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Pilar 6

Unidade Nacional & Reconciliação

Um país dividido não cresce. É tempo de construir pontes, não muros.

São Tomé e Príncipe é um país de 220 mil pessoas. Demasiado pequeno para as divisões que nos consomem. A polarização política, as rivalidades entre ilhas, a desconfiança entre gerações e a exclusão da diáspora do projecto nacional têm sido obstáculos ao desenvolvimento que nós próprios criámos.

A Presidência da República tem um papel constitucional de árbitro e de garante da unidade nacional. Não é um cargo para gerir interesses partidários. É um cargo para escutar todos, defender a Constituição e falar em nome de todos os são-tomenses — incluindo os que não votaram no candidato eleito.

O que propomos:

  • Criação de um Fórum Nacional de Diálogo permanente, com representantes de todos os partidos, da sociedade civil, das igrejas, dos jovens e da diáspora
  • Revisão do estatuto da Região Autónoma do Príncipe, com mais autonomia real e financiamento proporcional às necessidades da ilha
  • Programa de integração da diáspora: direito de voto no exterior, acesso a serviços consulares de qualidade e participação nos conselhos consultivos nacionais
  • Política de reconciliação histórica: abertura dos arquivos do Estado sobre períodos de tensão política, incluindo o esclarecimento pleno dos acontecimentos do 25 de Novembro e outros episódios que aguardam verdade e justiça
  • Promoção activa da língua e cultura são-tomense — o forro, o angolar, o crioulo — como elementos de identidade nacional e não de divisão

A unidade não se decreta. Constrói-se todos os dias com respeito, verdade e a convicção de que somos mais fortes juntos do que separados.

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